Ago
25
2006
Estava eu a conversar com um ex-aluno meu pelo gTalk do gMail, que está a desenvolver um site, quando o mesmo exclamou:
Este cliente é “o Ó“!
Entedi que o cliente era um tanto chato, porém queria saber, qual a interpretação dele sobre esta expressão, e perguntei o que era ser “o Ó“. Ele me disse:
“Ó” = coisa sem noção alguma
Comecei então a pensar sobre esta espressão e cheguei a uma conclusão, a árvore genealógica de “o Ó”.
A expressão “o Ó” é uma forma de dizer mais rápido uma outra expressão mais antiga, “o Ó do borogodó“. E o que significa ser o ó do borogodó?
Ó do borogodó, é o último caractere da palavra, ou seja, é o fim da palavra. E assim cheguei na expressão mãe desta última, a expressão “é o fim“, que por sua vez deriva de “é o fim da picada“, significando a morte, ou limite máximo de suportar algo.
Conclusão:
Precisamos ter mais cuidado com as expressões que usamos, ou as palavras que dizemos, pois as vezes entendemos uma palavra de um certo modo, e usamos ela em momento inadequado, alterando a forma de receber a mensagem do receptor, que é quem queremos atingir.
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9 comments | posted in Comunicação, Língua Portuguesa
Mar
24
2006
Na grande maioria dos casos coloca-se o acento indicativo de crase diante das horas, isto é, escreve-se s na indicação de determinado horário:
- Os bancos abrem s 10 horas.
- Às 21h30 começará a ser servido o jantar.
- O enlace matrimonial se realizará s dezoito horas do dia vinte de maio.
- Precisamente s 20h43min teve início o espetáculo.
À uma hora
Sabe-se que não existe crase diante de artigo indefinido, como em:
- Falou a uma multidão.
- Entreguei o papel a uma das secretárias.
- A revisão do passado não é tarefa restrita a uma nação arrependida.
No caso de “uma hora”, todavia, o precedente configura uma crase porque aí se trata não do artigo indefinido mas do numeral “uma”, que acompanha e determina a primeira hora, como o fazem os numerais até 24 [as duas horas, as três horas etc.]. Portanto:
O eclipse da Lua poderá ser apreciado melhor uma hora da madrugada.
Para as 12 horas
Sendo a crase a fusão da preposição A com o artigo A, não se poderá acentuar o AS das horas quando se empregar outra preposição (que não seja A). São quatro as possibilidades: para, desde, após, entre. Com elas é proibido usar o AS craseado, para que não haja uma superposição de preposições. Exemplos:
- A conferência foi marcada para as 10 horas da noite.
- Desde as duas estou te esperando!Não atendemos após as 18 h de sábado.
- A Celesc avisa que faltará luz na Serrinha entre as 20 h e as 22 h.
Reafirmando: este AS não leva crase porque é puro artigo. Nesse último exemplo pode-se verificar mais clara! mente tratar-se de artigo ao se trocar “as 20 h” por um horário do gênero masculino: “faltará luz na Serrinha entre o meio-dia e as 22 h”.
Até as ou s
- Os portões permanecerão abertos até as 23 horas.
- Os portões permanecerão abertos até s 23 horas.
Embora tenhamos dito acima que a crase é ! proibida depois de uma preposição, é possível - embora desnecessário - usá-la junto com ATÉ na frente da hora. Ocorre que a preposição ‘até’, excepcionalmente e por motivo de clareza, pode ser seguida da preposição ‘a’. Sendo assim, escrever até as 23 h ou até s 23 h é indiferente, porque neste caso não há o perigo de confusão com a partícula inclusiva.
Explica-se: a partir do séc. XVII começou-se a usar as preposições ATÉ e A combinadas para dar maior clareza ao pensamento, uma vez que ATÉ tem igualmente o sentido de inclusão = mesmo, inclusive, ainda, também. Mudança de significado pode ocorrer em frases do tipo:
- Queimou todo o cabelo até a raiz. [inclusive a raiz]
- Queimou todo o cabelo até raiz. [até junto raiz]
- Rabiscou tudo até a porta. [a porta também]
- Rabiscou tudo até porta. [dá a noção de limite: parou na porta]
Naturalmente nas frases 1 e 3 a ambigüidade poderia ser evitada com uma vírgula: “Queimou todo o cabelo, até a raiz / Rabiscou tudo, até a porta”.
Gostaram??
Pena que não é de minha autoria, mas coloquei aqui pois achei realmente relevante, principalmente para meus alunos que vão escrever em português, nessa web por ai a fora.
- Fonte
- Não Tropece na Língua
- Edição
- 2º Edição
- Número
- 004
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